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O Montalegre-Benfica da Taça de Portugal – Resumo e crónica

O Montalegre jogou contra o Benfica, em casa, nos oitavos-de-final da Taça de Portugal 2018/2019, num jogo que fica para a história do clube barrosão.

O Benfica apurou-se hoje para os quartos de final da Taça de Portugal de futebol, ao derrotar o Montalegre por 1-0, com um golo de Conti, num jogo dos oitavos de final em que se impôs com dificuldade.

O cabeceamento certeiro do central argentino, aos 31 minutos, resolveu uma eliminatória em que a formação da I Liga, pouco fluida no ataque, se deparou com um adversário da Série A do Campeonato de Portugal sempre capaz de disputar o jogo, sobretudo na primeira parte, em que criou mais perigo.

Com esta vitória, a equipa de Rui Vitória alcançou o sexto triunfo seguido em todas as provas e juntou-se a Sporting de Braga, FC Porto, Feirense, Desportivo das Aves, Vitória de Guimarães e Sporting, da I Liga, e ao Leixões, da II Liga, na ronda seguinte da prova ‘rainha’.

A jogar numa versão ampliada do seu estádio, com 5.470 pessoas nas bancadas, sob uma noite fria, a equipa transmontana entrou em campo sem receio e dispôs até da primeira situação de algum perigo, quando Vítor Pereira, num lance com muita gente na área, cabeceou ao lado, ao minuto sete.

Perante um opositor ‘atrevido’ no ataque, mas também compacto na retaguarda, a versão remodelada do Benfica – apenas Jardel e Zivkovic se mantiveram a titulares, após o triunfo sobre o Marítimo (1-0), para a I Liga – procurou desequilibrar mais pela ala esquerda do que pela direita e ameaçou o primeiro golo aos 10 minutos, quando a ‘emenda’ de João Félix foi desviada por Vítor Alves.

As ‘águias’ voltaram à carga quatro minutos depois, num cabeceamento de Seferovic travado por Tiago Guedes, mas caíram de rendimento nos minutos seguintes, perante um Montalegre que soube ter bola e que aproveitou a dinâmica de Zack e de Gabi no lado esquerdo para voltar a levar perigo à baliza de Svilar, num remate de Prince ao lado, aos 21.

Incapaz de se impor em lances de bola corrida, a turma da Luz começou a resolver a eliminatória de bola parada, quando Conti respondeu a um canto de Zivkovic, da esquerda, com um cabeceamento fora do alcance de Tiago Guedes, aos 31 minutos.

Depois de uma ocasião para cada lado no que restou do primeiro tempo – cabeceamentos de Paulo Roberto, aos 38, e de Jardel, aos 42 -, a equipa de Rui Vitória controlou a partida com mais conforto na segunda parte e esteve perto de aumentar a vantagem, em remates de Corchia, com a bola a ‘raspar’ o poste, aos 47, de João Félix, contra Tiago Guedes, aos 59, e de Conti, aos 63.

Sem o mesmo fulgor da primeira metade, o Montalegre nunca desistiu do empate, com Bela Tavares a rematar a centímetros do poste, aos 68 minutos, mas revelou-se incapaz de uma investida final em busca do empate.

Declarações

José Manuel Viage (treinador do Montalegre): “Sinto-me um treinador bastante feliz, orgulhoso pelos meus jogadores, por aquilo que fizeram. Quando lançámos este jogo, dissemos que queríamos tentar vencer o Benfica, que íamos defrontar o Benfica ‘olhos nos olhos’. Defrontámos uma das melhores equipas de Portugal. Fizemos um jogo estrondoso e era justo, no mínimo, o Montalegre levar este jogo para prolongamento. Não conseguimos, mas saio extremamente satisfeito por um clube tão pequenino como o Montalegre jogar ‘olhos nos olhos’ com o Benfica.

[O resultado] não foi uma questão de sorte. Tivemos as nossas chances para fazer golo. Não fizemos. O Benfica acabou por fazer um golo de bola parada, num canto, no sítio para onde costuma bater. Podíamos ter empatado o jogo. Tivemos o jogo em aberto até ao fim. Mas, do outro lado, estava uma equipa melhor do que nós. Houve momentos do jogo em que fomos brilhantes, com critério, posse de bola. Estivemos muito equilibrados. O Montalegre disputa o Campeonato de Portugal e, ainda há muito pouco tempo, disputava os distritais. Este jogo pode abrir-nos outros horizontes.

Claramente [os jogadores sentiram a minha falta no banco]. Eu sou o treinador deles. Eles gostavam que fosse possível eu estar no banco. É preciso dizer muita coisa sobre isto [suspensão com que foi punido], mas se calhar é melhor não dizer. Em Portugal, costumam ser muito fortes com os fracos e demasiado fracos com os fortes.

Vou falar em dois treinadores. Vou falar no Sérgio Conceição e no Abel [Ferreira], dois treinadores que eu admiro, competentes, dos melhores. O treinador Sérgio Conceição já foi seis vezes expulso e nunca deixou de estar no banco, e o Abel o mesmo. Se o José Manuel Viage se chamasse Jorge Jesus, Rui Vitória ou José Mourinho não estaria nesta situação, com uma suspensão há 80 dias por um motivo caricato. Não tiveram sensibilidade de perceber que era um jogo Montalegre – Benfica. Tiraram-me este jogo, mas não conseguiram tirar uma exibição estrondosa da minha equipa. Eu não quero arranjar polémicas com nenhum destes profissionais.

Este jogo, para nós, antes de o realizarmos, já era uma grande vitória, pelo facto de trazermos uma equipa como o Benfica a Montalegre. Conseguimos organizar aqui o jogo, com o apoio da autarquia e de outras pessoas. Era um sonho de menino. Eu sonhava em poder jogar com o Benfica aqui em Montalegre.”

Rui Vitória (treinador do Benfica): “Gostei da maioria da equipa, mas de um ou outro jogador não tanto. Gostei do resultado e da passagem à próxima fase da Taça de Portugal. Tendo em conta as mudanças, as condições do relvado, gostei, em determinados momentos, da qualidade, mas não gostei de algumas oportunidades que tivemos e não finalizámos.

Sabíamos que era um jogo de Taça, um jogo onde uma equipa de um campeonato inferior normalmente se transcende e tem um desempenho muito bom. Dentro das alterações que tivemos de fazer, as rotinas acabaram por não funcionar tão bem. Mas o objetivo foi alcançado. Queremos chegar longe nesta competição e vamos chegar. A ideia é ir assimilando [processos], aumentando a consistência e mantendo a solidez e a qualidade.

Não vou especificar [os jogadores de que não gostei], porque isso são questões internas, quanto à nossa forma de trabalhar. Isso tem mais a ver com a abordagem do jogo, com a perceção do que o jogo estaria a pedir. O jogo pedia capacidade de combate maior, porque o campo não dava para jogar tão bem assim. É preciso colocar o ?chip’ face ao que o jogo está a pedir.

Este jogo é um jogo diferente daqueles que tivemos [até agora] de efetuar. Era evidente que era muito mais fácil trazer a equipa que tem estado a jogar em termos de ligações e de processo ofensivo, mas tendo em conta a frequência das nossas competições, não foi possível. A qualidade está cá e vai aparecer. É importante sermos mais certeiros em zonas de finalização, para dar tranquilidade à equipa. Quero que a equipa seja mais eficiente.

Vamos ter o próximo jogo, completamente diferente, com um adversário diferente [Sporting de Braga], mas estaremos completamente preparados para ele. É evidente [que vai haver mudanças no ‘onze’].

Não [quero comentar os lenços brancos].”

Ficha de Jogo

Jogo no Estádio Municipal Doutor Diogo Vaz Pereira, em Montalegre.

Montalegre – Benfica, 0-1.

Ao intervalo: 0-1.

Marcador:

0-1, Conti, 31 minutos.

Equipas:

– Montalegre: Tiago Guedes, David, Vítor Alves, Vítor Pereira, Zack (Roberto, 83), Tavares, Lio, Gabi (Álvaro Branco, 70), Ferrari, Prince (Zangão, 62) e Paulo Roberto.

(Suplentes: Viana, Embaló, João Fernandes, Roberto, Álvaro Branco, Zangão e Beto).

Treinador: José Manuel Viage.

– Benfica: Svilar, Corchia, Conti, Jardel, Yuri Ribeiro, Alfa Semedo, Gabriel (Gedson, 81), Krovinovic, Zivkovic (Cervi, 72), João Félix e Seferovic (Castillo, 89).

(Suplentes: Varela, Ferreyra, Castillo, Ruben Dias, Samaris, Cervi e Gedson).

Treinador: Rui Vitória.

Árbitro: Manuel Oliveira (Porto).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Conti (33) e Gabriel (61).

Assistência: 5.470 espetadores.

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