Redes Sociais

Taça da Liga

“Se é para fazer isto aqui tirem o VAR”

O treinador Abel Ferreira manifestou-se hoje desagradado com a atuação do video-árbitro (VAR) na partida que opôs o SC Braga ao Sporting, e que terminou com o apuramento dos leões para a final da Taça da Liga, onde irá defrontar o FC Porto, no sábado, no Estádio Municipal de Braga.

“Se é para fazer isto aqui tirem o VAR”, queixou-se durante a flash interview.

Durante o encontro, os bracarenses viram um golo ser-lhes anulado, aos 46 minutos, depois de o VAR ter considerado que existiu uma falta no início do lance.

O Sporting ganhou por 4-3 sobre o SC de Braga, nas grandes penalidades, depois do empate a uma bola no final dos 90 minutos,

Declarações à ‘flash-interview’ da SportTV 

Abel Ferreira (treinador do SC Braga):[Resultado injusto] É a certeza daquilo que vimos durante o jogo. Vou falar do positivo, que foi jogar para vencer seja contra quem for, seja onde for. Fizemos isso na primeira parte, que foi mais equilibrada, e fizemos um golo.

O adversário acaba por fazer um golo muito bem conseguido em bola parada. É difícil combater o Coates porque de facto ele é muito grande, mas entrámos na segunda parte e, se o objetivo do futebol é o golo, nós fizemos o 2-1.

Continuámos a jogar e metemos uma bola na trave. Enfim, fizemos uma segunda parte muito boa.

É verdade que o Braga tentou – e fez as substituições com esse intuito – ganhar durante os 90 minutos, e sentimos na segunda parte que era possível, mas infelizmente vamos ver esta meia-final em casa. De forma muito injusta.

Eu nem sei o que é que diga. Temos que perceber porque é que o futebol português está mal. Com certeza que eu, como treinador, tenho muita coisa a melhorar, como o meu comportamento, se calhar tenho que ter mais calma, mas quando eu olho para este microfone vejo preto e amarelo, não tenho azul e cinzento. E esse é que é o grande problema. Eu disse isso mesmo ao árbitro com todo o respeito e com toda a educação.

Lá em baixo estão homens de família, que trabalham todos os dias para terem melhores condições para dar à sua família e, se eu não ganhar os jogos, o presidente a mim despede-me.

Eu não vou dizer o que o meu coração sente. Vou usar a sabedoria dos sábios. Vou deixar que as pessoas olhem e interpretem. Vou deixar que o futebol português, de uma vez por todas, tenha coragem de mudar o que está mal. Penalize quem tem de penalizar se quisermos um futebol melhor.

Quando eu erro eu tenho que ser despedido. E quando se erra a olhar para imagens… Quando nós conseguimos, em dois dias, poder fazer uma reflexão e ver. Vejam os lances, comparem os lances. Eu também erro e aceito o erro, mas o que mais me custa… Tirem o VAR por favor. Se é para fazer isto aqui tirem o VAR. Deixem os árbitros errar à vontade, deixem-me errar à vontade, deixem os jogadores errar à vontade, porque com o VAR e com o erro fica difícil para quem está em casa perceber o erro.

Quando eu tenho acesso ao VAR e se, num dia vejo uma coisa e no outro dia vejo outra, por favor desliguem.

E outra: não metam linhas. Se em casa não há linhas e se no VAR não há linhas, não metam linhas nas televisões, porque isso confunde quem está a ver.

Vou dar também parabéns ao Sporting, porque foi mais feliz e ganhou nos penalties.

Mas as pessoas que mandam no futebol, porque eu e os jogadores não mandamos absolutamente nada, que se sentem na mesma mesa, que façam uma reunião de condóminos, deixem as suas quintinhas de lado e que procurem valorizar o espetáculo, valorizar os jogadores e, acima de tudo, credibilizar o futebol”.

João Novais (Jogador do SC Braga): “Saio com sensação de frustração. Se houve uma equipa que quis ganhar o jogo fomos nós. Uma primeira parte mais equilibrada, mas com ascendente nosso e a segunda parte completamente nossa.

Fizemos mais, criámos mais. Um sentimento de injustiça e frustração acima de tudo.

[Penalties] Treina-se mas também sabemos que é sorte. Ao fim de 90 minutos de muita emoção, psicologicamente os jogadores estão cansados e isso pesa.

[Golo anulado] Toda a gente viu o que aconteceu. É um lance completamente normal no futebol. Isto é futebol, não é ‘basket’, durante o jogo houve milhares de lances assim e não foi falta. Aquele foi e não sei porquê.”

Marcelo Keizer (treinador do Sporting): “Um empate talvez fosse justo. A qualidade do jogo não foi boa. Ganhámos nos penáltis e estamos contentes, porque estamos na final.

Como treinador, olho para a qualidade de jogo e penso que podemos fazer melhor.

[Renan decisivo] Esteve muito bem. Hoje, estávamos um pouco cansados, mas o espírito da equipa fez o trabalho por nós.

[Dificuldades no início do jogo] O Braga jogou melhor nos primeiros 10 minutos, mais agressivo, depois nós também passámos a estar mais agressivos e penso que foi um jogo em que ambos os lados tiveram oportunidades, mas não muitas, pelo que acho que ambas equipas podem fazer melhor.

[Luiz Phillipe a titular em vez de Bas Dost] Foi uma questão física, mas havia a questão física para toda a equipa, para os 22 jogadores, porque jogámos muitos jogos, toda a gente sabe disso, e às vezes precisamos de mudanças para manter a equipa fresca. Hoje foi o Luiz Phillipe em vez do Bas Dost e isto pode acontecer mais vezes.

[Mathieu saiu ao intervalo] Também algum cansaço, talvez esteja pronto para o próximo jogo.

[Menos um dia de descanso do que o FC Porto] Não nos queremos queixar do calendário. Só temos que jogar. Claro que seria bom termos três dias em vez de dois, mas vamos dar o nosso melhor.

Conferência de Imprensa

Abel Ferreira e Marcel Keizer voltaram a falar na sala de imprensa.

Abel Ferreira (treinador do SC Braga): “Fiquei orgulhoso, não de hoje, mas do que nos comprometemos a fazer. [Deve-se] Reconhecer que o adversário, individualmente, é melhor, mas coletivamente fomos melhores. Entrámos bem, fizemos um golo. O Sporting foi uma equipa que jogou em bloco médio, não tão pressionante como costuma ser.

Na segunda parte, fizemos um golo limpo [anulado a João Novais]. O futebol é um jogo de contacto, para homens, agressivo. Fizemos um golo limpo, com uma jogada que trabalhámos durante a semana. Gostamos muito de ver o nosso trabalho refletido no jogo.

Os nossos jogadores não estão habituados a passar por estes momentos [de decisão de grandes penalidades]. Valeu a experiência do nosso adversário nestes momentos e em jogos internacionais. Eu pedi, no final, aplausos [ao público], porque fizemos tudo, mas o golo não contou. Parabéns ao Sporting, porque foi mais competente do que o Sporting de Braga nos penáltis. Eu falei com o [Marcel] Keizer, e ele disse-me: ‘este é o vosso futebol’.

Eu, seguramente, tenho de melhorar, mas devemos todos pôr as mãos na consciência. Não há falta sobre o Acuña. Custa-me ver uma pessoa que trabalhou comigo [o antigo árbitro Pedro Henriques] a influenciar opiniões [ao defender que o lance do golo anulado é precedido de falta de Dyego Sousa sobre Acuña]. Incomoda-me a injustiça. É nos momentos de crise que se abrem oportunidades para grandes reflexões.

[Esta derrota] Significa aprendizagem, experiência. A gente só aprende passando por elas, saindo da zona de conforto, mas quero dizer aqui que gostava que o senhor árbitro [Manuel Oliveira] fosse ao balneário dizer qualquer coisa. Eu não lhes sei dizer nada a não ser o meu sentimento de orgulho, não [apenas] pelo que fizeram hoje.

Há questões políticas, económicas e financeiras [que nos distanciam dos três denominados ‘grandes’]. Dentro do campo, igualámos hoje. A injustiça deixa-me revoltado. Fui três vezes expulso este ano. Fui muito bem expulso nas duas primeiras vezes. A multa deveria ter sido mais alta. Em Portimão [no jogo com o Portimonense], fui mal expulso.

Se eu não ganhar, vou embora e tenho de dar a vez a outro. Quando não sou competente, tenho de dar vez aos mais novos. Não faço outra coisa que não seja melhorar a nossa forma de treinar, os meus jogadores e fazer com que os meus adeptos sintam orgulho no que fizemos.

Tivemos ontem [na terça-feira] um jogo [entre Benfica e FC Porto] e hoje outro, com grandes equipas, quatro grandes treinadores, com grandes jogadores, com grande público que torce pelas suas equipas. Depois admiram-se porque é que os treinadores querem ir embora do campeonato português”.

Marcel Keizer (treinador do Sporting): “Não começámos bem. Depois do 1-0, melhorámos, empatámos e voltámos ao jogo. Na segunda parte, houve um par de oportunidades para cada lado. Depois, a decisão foi nos penáltis, o que é sempre difícil. Tivemos mais sorte. Estou feliz. Mas este é apenas o primeiro passo. Agora vamos ter uma final contra o Porto, que é muito difícil.

A precisão de passe não foi boa, por vezes. Quando se joga contra o Braga, tem de se jogar com segurança na posse, senão o Braga sai com muita rapidez para o ataque. O posicionamento também não foi bom, em algumas situações. Tentámos manter as linhas juntas, mas não fizemos o nosso melhor jogo.

Os jogadores treinam penáltis por si mesmos, mas, antes de jogos como este, treinamos um pouco mais, embora não muito. A escolha por ele [Renan Ribeiro foi titular, em vez de Salin, o habitual titular nas taças] não se baseou nisto.

[Decisão de colocar Bas Dost no banco] Se se jogar oito jogos num mês, os jogadores ficam cansados. Como treinador, tenho de mudar, por questões físicas. Hoje, ficou no banco e entrou mais tarde.

Eu penso que toda a gente tem de se acostumar ao videoárbitro. Os problemas existem, mas tem de se melhorar. Ainda não é suficientemente bom.

O Porto é o líder do campeonato, joga a Liga dos Campeões. É uma equipa forte. Vamos aproveitar os momentos que temos para treinar. Não me vou queixar de termos menos um dia para preparar o jogo. A agenda é o que é”.

Comentar

Comentar

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Mais Taça da Liga